23 maio, 2007

A alma do negócio.

(foto: Mário C. de Oliveira)

São Paulo, 12 de Janeiro de 2007.

Ouço nas ruas, nas filas dos bancos, humildes a espera dos ônibus reclamando sobre a proibição de utilização de mídia exterior, através da utilização de painéis publicitários. Aqueles gigantes e horrorosos das Faculdades Radial ou do ¨breganejo¨ Daniel de cuecas Mash.

Não! Calem-se! Se há algo que este prefeito insignificante fez de bom, foi esta lei! Fora com o pavor publicitário que nos assola!

-Mas onde vai ter propaganda agora? Só na Internet?

Que os relógios da cidade estampem gravuras de pintores em seus painéis e que a empresa responsável assine o anúncio, valorizando o institucional.

Radicalizo, fora com todos os letreiros e faixas. Quero ver as fachadas, quero saber se os arquitetos e engenheiros de hoje, são capazes de criar uma cidade harmônica e bela.

Os pontos de ônibus com trechos de poesia ou contos, com a assinatura do patrocinador. Nas praças, réplicas de esculturas envolvendo pequenas árvores e a assinatura do mantedor.

Fora com o feio, fora com a ocupação do horizonte público pelo dinheiro privado.

Para que São Paulo seja mais horizonte e menos privada.

03 maio, 2007

Jogos Pan-Americanos. Porque não.

(foto:Mário C. de Oliveira)

São Paulo, 11 de Abril de 2007.

O esporte, principalmente o futebol, sempre foi uma de minhas paixões. Para os próximos, isso não é novidade alguma.
Sairia facilmente distribuindo críticas, todas elas respaldadíssimas em conhecimento de causa, caso resolvesse comentar sobre a realização de uma Copa do Mundo aqui por estas paragens.
Sucede que o assunto anda borbulhando na mídia. Aliás, faz um tempo comecei um textinho sobre os jogos pan-americanos do Rio de Janeiro, com a mesma tendência de navegar nas críticas, ainda que a presença da canoagem e do nado sincronizado afagasse meu punho de arqueiro.

Andava enclausurado, entre não textos e aflições que insistiam em não sair, ruminando sobre o assunto.

Como Santo Domingo na República Dominicana, pode sediar tais jogos e o Rio não? Na verdade nenhum dos dois pode. Mas os critérios; rígidos critérios que tiraram o centenário olímpico de Atenas, entregando à Atlanta, não existem mais.
Em sociedades desorganizadas, desmobilizadas, não assistidas, de economia instável, fica muito mais fácil fazer jorrar o dinheiro!
O orçamento referente à realização de obras para o Pan sai do forno com números bem digeríveis. A estratégia é simples. O governo aprova o projeto, inicia as obras e no meio do caminho; surpresa! Faltam milhões! Não há saída, verbas suplementares, derrama do dinheiro público. Alguns, usando termo apropriado, nadando em dinheiro. O esporte brasileiro, principalmente o amador, abandonado como sempre.

Dizer que seria mais apropriado investir estas vultuosas somas em equipamentos, centros de treinamento, parques aquáticos seria tão inevitável quanto óbvio. Aqui entra um novo componente, por desconhecimento ou má fé, há quem diga que estas críticas estejam postas por antipatriotismo. Amparados na falsa premissa:

- É a oportunidade do atleta da modalidade desconhecida aparecer!

Neste país o atleta da modalidade desconhecida aparece quando a televisão precisa de um novo herói. Quando os meninos do vôlei estão de férias, ou as peladas futebolísticas não empolgam nem o mais fanático torcedor. Ou quando nosso melhor piloto de F1 não passa do terceiro lugar.

Na verdade ele está lá! Correndo descalço, desviando dos buracos da pista, ou sendo atropelado enquanto pedala nas ruas e estradas. Quase sempre sozinho, sem dinheiro pro transporte, muitas vezes sem almoço. E quando uma mulher brasileira, se não me falha a memória negra, chega em quarto lugar na final olímpica do Tae Kon Do, recebe todo o nosso desprezo.

O Brasil é assim. Trata assim seus atletas. Ignora as virtudes e aptidões de seu povo. E sempre que a oportunidade aparece, veste o verde e amarelo da hipocrisia e do cinismo, para urrar nas transmissões:

-O Brasil é ouro!

Ouro é o pai do Joaquim Cruz! Ouro é a família do Wanderlei Cordeiro de Lima!
O esporte transforma, integra, une, ensina. O esporte tira o jovem da rua.

Amo o esporte!

Os Jogos Pan Americanos são apenas mais uma oportunidade para grandes negócios e negociatas! Grandes empreiteiras e consórcios, construtoras, grandes bancos e seus empréstimos em troca de títulos públicos.
Patrocinadores monopolistas, redes de televisão, nacionais e ou globais, como queiram. Interesse econômico, esta é a modalidade. Interesse do capital e da casta que por esporte senta em cima do País.

Nesta sim somos medalha de ouro.

Bem, a Copa fica pra depois.

10 abril, 2007

LUA, LUA, LUA...



São Paulo, 10 de Abril de 2007.

Observo as reações de minha filha, as alegres e as tristes. Vejo as expressões do rosto, que mudam a cada estímulo externo. Partilho o olhar de felicidade a cada descoberta da vida, também o medo ante o desconhecido e o abraço da timidez em minhas pernas.

Na criança está o sutil, o delicado. O que ainda não é, mas espera vir a ser. Na criança mora a descoberta. O saber; a vontade de aprender.

Neste convívio entre pai e filho, recebemos um presente. O privilégio de observar, bem de perto, cada passo, cada surpresa, cada conquista.

Porém, se estamos apressados demais ou cansados demais, deixamos de sentir aflorar a vida no olhar do filhote.

Indescritível sensação, tonificante, isotônica; ouvir seu filho partilhar sentimentos e dúvidas é a suprema delícia!

Érika, professora de minha filha faltou ontem e ela ficou muito triste. Para piorar, a amiguinha Rebeca perdeu seu brinquedinho de ¨Hello Kit¨. Ana Lua e a tia Zô procuraram por ele, mas não encontraram.

Nós pais somos diariamente testados por nossos filhos. As transformações, as dúvidas, as constantes mudanças de temperamento e humor. Os limites. Os testes.

Depois de colocá-los para dormir, em geral quando voltamos ao quarto para cobri-los e beijá-los, invariavelmente refletimos. Sobre a brincadeira que faltou ou a insuficiente paciência. Cobranças de nosso comportamento inadequado, que retratam o esgotamento do dia-a-dia.

Contemplo sua delicadeza, frágil porcelana de toque suave Pelos finos e dourados na face do meu amor. Que range os dentes. Minha palma contorna a harmonia de seu rosto. Aliso seus cabelos. Encontro meus lábios em sua bochecha, beijo uma... Duas; deliciosas vezes! Aproximo-me da orelhinha e digo:

- O papai te ama!
- O papai está aqui! Bem pertinho!

Encosto meu rosto no dela, como quem pede desculpas; eternas desculpas pela imperfeição de um simples pai.

Saio do quarto mais forte!

03 abril, 2007

Tempo, tempo, tempo... (Resgate Arqueológico 1)



São Paulo, 13 de março de 2001.

Sinto o tempo passar frente à janela entreaberta dos meus olhos; agitado como um pássaro perdido que ruma sem destino. Procuro talvez a chave para abrir as portas da casa que me protegem do vento e me impedem de caminhar.

Às vezes espero que elas se abram sozinhas, outras vezes atiro-me estabanadamente pela janela. Felizmente, a dor da queda é menor do que a do caminho à frente, ela acaba ali no chão. Enquanto o resto do caminho nos faz doer incansavelmente a cada curva, todos os dias; e o tempo passa, sorrimos sem jeito, por vezes nos escondemos da chuva, por outras, poucas vezes, corremos n’ela, esperando encontrar alguma coisa em seu final...

Depois da chuva; mais uma curva e aí vem o vento a passar, fecho os olhos, se não vejo, não sinto.
Em meio à escuridão parece-me que as árvores, as flores, as pedras, ultrapassam-me velozmente; não! Estou ficando, cada vez mais distante, a cada momento mais escuro, preciso abrir os olhos, devagar... Não!

Não eram flores, mas preciso correr, afinal tenho um compromisso; com alguém. Comigo? Onde? Por que? Quando? Sozinho?

Espere; prefiro dormir na estrada, tomar chuva e às vezes sentir passar o vento!

26 março, 2007

Correio Elegante.




São Paulo, 26 de Março de 2007.

Ser mulher é acreditar mais firmemente em valores e princípios. Lutar incansavelmente por um objetivo e persistir muito além do compreensível.
Esta mulher de que falo tem braços, mãos e dedos capazes de tocar o ar. Seus ombros descobertos promovem o encontro da delicadeza e da sedução.
Esta mulher tem pescoço fino, cabelos perfumados e sorriso devastador!

As mulheres voam; é isso que as tornam tão belas e fascinantes.

04 janeiro, 2007

ÔNIBUS AMARELO ou FELIZ ANO NOVO.


São Paulo, 03 de janeiro de 2007.


Uma angústia me sufoca. Em tempos pouco existencialistas, diria minha priminha que mora longe, racionalmente tento começar este texto, mas não consigo.

De que matéria prima comburente, desejamos tirar o molde deste planeta? Que não a violência desmedida?

Pois a raiva e a ira são inerentes ao ser humano, como todos já puderam perceber ao longo de suas vidas. Ainda que tenha sido apenas assistindo ao filme Seven.

O que me consome as forças é a barbárie, como diria o Zumba, de nossa guerra civil. Do abandono e do desprezo, surge a semente do mal que nos acomete.

Meu semelhante, certamente filho, eventualmente irmão, despropositadamente ou por estupro, pai, levanta-se de sua cama em um dia qualquer, sabedor de sua capacidade destrutiva. Dirige-se a sei lá qual ponto de encontro macabro. Parte então para o local do combate.

Embriagado? Drogado? Não! É preciso estar realmente muito lúcido para ser tão monstruoso. Minhas ilusões poéticas se foram ao longo dos anos. Lúcido!

Lúcido e cruel! E sórdido. De alma apodrecida.

Seus pares, cercam um ônibus regular de transporte de passageiros na Avenida ... Brasil.
Armados de metralhadoras invadem o coletivo e depois do assalto, espalham gasolina e ateiam fogo!

Ali dentro, homens e mulheres, idosos e crianças, bebês de colo. Há janelas vedadas pela presença do ar-condicionado e sádicos armados metralhando do lado de fora! O retrato do horror.

Onde estão os magistrados? Não andam de ônibus.

Eu, sociedade civil, não imploro como pode parecer. Exijo providências. Mudanças imediatas em nossos códigos, para torná-los mais eficazes.

Ao Presidente e ao governador, meus cumprimentos, que esta mancha acompanhe suas trajetórias políticas a vida toda. Tolice rogar solidariedade de sentimentos em um ano não eleitoral.

Mas a vocês do Legislativo, escondidos nas profundezas do Planalto Central, minha ira.
Putrefatos canalhas de gravata, que alimentam o crime organizado, eleitos pela ignorância moribunda e analfabeta do nosso povo, traficantes, corruptos e malfeitores espalhados por entre as cadeiras do congresso, comendo do alimento produzido e financiado por nós!

Eu, civil, brasileiro, quero mudanças na constituição brasileira! Quero trabalho e respeito.

Quero a liberação da venda da maconha e a descriminalização do usuário de drogas.
Evidentemente que este deverá responder inapelavelmente por todos os seus deveres cívicos.
Quero penas severas ao traficante e dura repressão no combate ao narcotráfico.

Ou em último caso, quero todos vocês dentro de um ônibus da Viação Itapemirim.

03 janeiro, 2007

A MORTE DE SADDAM.



São Paulo, 03 de Janeiro de 2007.


O que nos difere das sociedades primitivas que sacrificavam vidas em troca de proteção divina?

Qual nossa efetiva contribuição para transformar a sociedade?

Com que olhar nos enxerga ou enxergará a história?

Saddam Hussein foi assassinado. A que propósito serve sua execução? Curdos e Xiitas festejam! George Bush saboreia sua Petro-vitória.

Enquanto isso, o número de soldados Yankes mortos no Iraque ultrapassa o de vítimas do WTC.

Enquanto isso, o Iraque e o Oriente Médio continuam em chamas.

Enquanto isso um novo mártir se insere na cartilha da guerra!

Saddam deveria ser armazenado, ter seus crimes apurados sob as lentes atentas das TVs do mundo todo, deveria cumprir sua pena perpétua sob os holofotes e sob as imagens constantes da destruição por ele causada. Pois enquanto estivesse vivo, serviria de modelo ao que deve ser combatido.

Mas, não!

Não é esta a necessidade! Não é esta a postura ser adotada, não pelos homens que alimentam a fogueira. De uma guerra que não tem fim. Do Fanatismo Financeiro Ocidental do Norte, contra o Fanatismo Fundamentalista Islâmico do Oriente.

Que algum cineasta almofadinha de Beverly Hills resolva filmar;

Os branquelos obesos do Texas, de paletó e tênis, montados em cavalos de espora, rifles e cartões de crédito em punho, marchando sobre crianças magras desdentadas, de turbante e sem alma. Que recitam os versos sagrados de sua miséria humana.

A morte de Saddam não serve ao bem. Ela acentua as diferenças no Iraque, promove o ódio e a revanche.

Nada do que digo é novidade, como também não é novidade que muitos ainda acreditem que seja possível apagar incêndios com gasolina.

17 dezembro, 2006

SEJA PAPAI NOEL!



Faça algo diferente neste Natal !

Que tal ir a uma agência dos Correios e pegar uma das 17 milhões de cartinhas de crianças pobres e ser o Papai Noel delas?
Tem criança pedindo um panetone, uma blusa de frio para a avó e até material escolar.
O Arrasta a Rede abraça a idéia; basta pegar a carta e entregar o presente em uma agência até dia 20 de Dezembro.
O próprio correio se encarrega de fazer a entrega.
DIVULGUEM PARA CONHECIDOS!
Lembrem-se:
Na vida passamos por 3 fases;
Na primeira acreditamos em Papai Noel!
Na segunda não acreditamos nele.
E a terceira quando somos...

11 dezembro, 2006

CHILE URGENTE !


São Paulo, 10 Dezembro de 2006.

A liberdade é a poesia!
Aos poetas a vida;
aos opressores
o esquecimento.

O ARRASTA A REDE HOMENAGEIA O POVO CHILENO!

LXVI

No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuanto no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego ,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de Enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.

Pablo Neruda

Como combater o crime? (sujeito a alteração)


São Paulo, 21 de Junho de 2006.

(Escrito 1 mês depois dos ataques do PCC; Durante a Copa do Mundo).


Na Constituição brasileira existe um artigo onde está especificado. O réu não está obrigado a dizer a verdade, ou seja, o réu pode mentir.

Nosso código de direito criminal está ultrapassado ou no mínimo inadequado. Nele, não existe crime sem que este esteja tipificado. Previsto.

Em nosso código não existe crime de perjúrio, mentir em juízo.

Na Inglaterra, EUA e Canadá, juízes são escolhidos por eleição entre especialistas em cada tema. Lá um advogado entra na sala do Juiz e declara:

- Meu cliente está preso injustamente ou ilegalmente.

Na mesma hora o juiz libera o acusado, o advogado procura o responsável pelo cárcere e o comunica, assim ocorre a soltura. Caso se comprove o contrário, automaticamente o advogado vai preso.

No Brasil, o infrator que rouba um toca-fitas de automóvel pode ficar até cinco anos preso.
Funciona assim; A criança tenta colocar a mão no caldeirão de água fervente, mas sua mãe alerta sobre o perigo e impede. A criança tenta novamente, a mãe não deixa. Após várias tentativas ocorre um descuido materno e a criança acaba queimando a mão.

A lei brasileira coloca a criança dentro do caldeirão.

Pequenos delitos deveriam ter uma punição adequada. Trabalhos sociais, reclusão de 10 dias. Dez dias para saber onde este indivíduo vai querer colocar a mão.

Na Itália o problema dos crimes de seqüestro foi solucionado. Na década de 70 o Primeiro Ministro Aldo Moro foi seqüestrado e morto. A lei anti-sequestro criada a partir desta data, prevê que o cidadão que fizer o pagamento de um resgate, será julgado por crime de seqüestro. Automaticamente todos os bens de todos os parentes de um seqüestrado ficam bloqueados e as instituições financeiras proibidas de financiar empréstimos e hipotecas.

O crime existe desde os primórdios da humanidade. O combate a ele também. Ao longo dos tempos, ambos evoluíram.

Enquanto não tivermos mecanismos e canais de discussão mais ágeis, enquanto não se modernizar o enfoque dado à questão da criminalidade, precisaremos continuar vestindo o verde e o amarelo e torcer!

05 dezembro, 2006

BRASIL BI-CAMPEÃO DO MUNDO.


São Paulo, 04 de Dezembro de 2006.

Começar este texto me traz ótimas lembranças de minha adolescência e juventude. Das descobertas e do prazer da prática esportiva.
Lembro a felicidade de meu pai, já com muita dificuldade para andar, me levando à escola, no período da tarde, quando ainda na sexta série, passei a fazer parte do time do colégio no ano de 1986.
Anos antes, no Ibirapuera lotado, com minha mãe e a Marie, e com 9 anos de idade assisti a uma partida decisiva entre a Pirelli de Xandó e William, e a Atlântica de Bernard e Renan.
Esta alegria chamada voleibol me levava ao DEF e ao Ibirapuera para treinar e me sentir atleta, dividir com Marcelo Negrão, a mesma quadra. Ter sonhos infantis de conquistar uma medalha olímpica.
Batia ponta, embora a não muita estatura já me condenasse. Em uma das tardes de treino eis que chega o time do Banespa, que decidia o Brasileiro naquele final de semana contra o Fiat Minas, tendo emprestado seu ginásio aos visitantes. Ao final do treino, Vinte minutos de inesquecível desafio, contra Xandó, Montanaro, Amaury e muitos outros. Ali, no Ginásio quadradinho.
Assisti a quase todos os confrontos entre Brasil e URSS, na década de 80. Um deles no estádio do Maracanã, debaixo de chuva, quando Zaitzev, Savin e companheiros do imbatível esquadrão Soviético ajoelharam-se na quadra, com panos nas mãos para não decepcionar o público ali presente. Para eles perdemos o Mundial de 1982 na Argentina; Mas em cima deles vencemos o Mundialito por 3x2, em um jogo com mais de 3 horas e meia de duração. Esta seleção foi a responsável por abrir as portas para o vôlei entrar no coração do brasileiro.
Na Olimpíada de Los Angeles, o vice-campeonato, ao perder para os EUA de Kiraly, não sem antes vencê-los por 3x0 na 1ª fase, com direito a um humilhante 15 a 2.
Vi chegar a geração de Maurício e Tande, que consolidou o esporte. Derrotada pela máquina italiana por 3x2, na final da liga mundial aqui mesmo no Brasil, com 15 a 13 no 5º Set, no dia do aniversário do meu já falecido pai.
Acordei cedo para ganhar junto com este time o Ouro olímpico em uma manhã cinzenta de domingo, lá em Seul 88.
Agora, orgulhoso, vejo a seleção brasileira alcançar o bi-campeonato Mundial, feito raro. A geração dos geniais Ricardinho, Giba e Nalbert, talha a mão o nome do Brasil no rol dos maiores esquadrões da história do voleibol de todos os tempos.

Ao lado de URSS 80/82, EUA 84/86 e da Itália, Octacampeã da Liga Mundial, está o Brasil, gigante, invencível!

Os maiores do Mundo nos últimos 4 anos, raçudos, vibrantes, vencedores e ainda assim, não ouvi sequer um rojão em homenagem a eles, na manhã deste domingo!

04 dezembro, 2006

O ZÉ E O LULA



Texto escrito antes do primeiro turno da eleição presidencial.


São Paulo, Setembro de 2006.


Talvez eu tenha encontrado a materialização da minha insatisfação com o Governo Lula. Sábado acompanhei meu amigo Zé ao Hospital Universitário (HU), para avaliar uma contusão sofrida por ele em nosso futebol semanal.
Estabelecimento ligado à Universidade de São Paulo (USP) de responsabilidade do governo do Estado, mas a questão do descaso, em meu coração, fere princípios e não burocracias. Assim aponto minhas baterias para Brasília ou São Bernardo, como queiram.

A demora para o atendimento, a atmosfera sombria, o ambiente carregado e o desinteresse, dão o tom efetivo de como é tratada a questão da saúde pública no Brasil.
O consolo dos que esperam é a TV, ligada na Globo, transmitindo o programa Zorra Total. Não preciso dizer mais nada.

A visita tem início quando o computador responsável pela triagem identifica como inválida a carteirinha do meu amigo, desde o ano de 2004. Pesquisador e Doutorando, freqüenta diariamente a Universidade. Depois desta explicação e do Aaaahhhh! Então tudo bem, do funcionário, ele é encaminhado à primeira triagem, onde idosos, crianças e Zés, esperam indistintamente por sua consulta.

Nas paredes da repartição, alguns avisos pouco encorajadores, escritos em papel sulfite e garranchos de caneta Bic, com a aparência de estarem ali há muito mais do que apenas um dia.

- Devido à super lotação deste PS, informamos que todos serão atendidos, mas a espera deve levar entre 2 e 3 horas.

Trata-se apenas de um dos componentes a desencorajar o cidadão enfermo a qualquer tipo de reclamação.

Outros cartazetes:

-Desculpe o transtorno, estamos reequipando nossa unidade radiológica para melhor atender.

Este deve ter um século de existência, a julgar pelo equipamento que encontramos, cerca de duas horas e meia depois.

Há mais um digno de nota: - Estamos sem água!

Não entendi muito bem a finalidade deste, senão deixar ainda mais estarrecidos e apavorados, os desassistidos cidadãos.

Bem; como estávamos com sorte, pouco mais de uma hora depois meu amigo entrava em uma das saletas para ser examinado. Ressalto o empenho dos médicos que pareciam dispostos a enfrentar o batalhão de pacientes à sua espera. Que fique registrado, porque em outras visitas minhas a hospitais similares, como o Servidor Público Municipal, esta fila poderia levar mais de três horas. Em cinco minutos Zé saía da saleta com um papel para solicitação de Raio X.

Atravessamos o corredor passando por uma porta de vidro, guardada por um segurança, que aponta em direção a outra sala. Com TV e Zorra Total. Nela, tísicos e enfermos, crianças no chão brincando com os insetos e um cidadão funcionário, protegido por um balconete de madeira.
Sem tirar os olhos da tela do computador ele nos indica a colocação da ficha em um dos oito buracos existentes na parede ao seu lado. Onde se pode ler, Ortopedia.

Quarenta minutos mais velho, já incomodado com a demora no atendimento e a paciência Jônica do Zé, vou até a parede, antevendo a surpresa. A única ficha, ainda lá, há espera de hábeis mãos, era a dele. Intocada!

Por que hábeis mãos?

Ao chegar à sala indaguei àquele funcionário, o que estávamos fazendo ali, visto que os aparelhos de raios-X, ficavam do outro lado do hospital. A resposta foi simples:

- Pra digitar!
- Digitar o que?
- O pedido!
- Dos raios X?
- É.

Outros médicos, que não os ortopedistas, passavam de vez em quando por ali e retiravam de outros buracos na parede, fichas de pacientes de outras especialidades. A do Zé ficou lá, melancólica, solitária, por 40 longos minutos.

Resolvi voltar ao funcionário e reclamar. A sensação de que estava atrapalhando seu navegar pela internet ou sua paciência, a normal e a Spider, era constrangedora. Afinal, quanta indelicadeza de minha parte, poderia estar desrespeitando o funcionário público.

Esta também é mais uma peça daquele esquemão para desencorajar o enfermo e pacato cidadão a reclamar. O funcionário sisudo e com má vontade, faz-se de ofendido ou idiota, conforme sua necessidade, sendo incapaz de informar sobre o procedimento corriqueiro, o trâmite, o caminho que cada cidadão contribuinte deve desenvolver dentro da repartição. Ao menos não há aquela folhinha na parede, descrevendo a penalidade por desacato! Esta; mais comum em cartórios e instâncias jurídicas.

Resolvo entrar, insólito, vejo em primeiro plano cinco computadores novos, enquanto ainda estou construindo a imagem positiva, dou mais dois passos e me deparo com um enorme saguão, escurecido por cortinas nas janelas. Dividido por biombos que separam as inúmeras camas e pacientes sobre elas. Outros em cadeiras de rodas e uma mesa central.

Dirijo-me a uma mocinha que acabara de sentar, imagino que seja médica, relato o acontecido. Ela levanta disposta a encontrar alguém da ortopedia, vou atrás, ela entra em uma sala onde obtém a resposta:

- Os ortopedistas estão jantando. -Silenciosamente indago aos céus, revoltado!-
- Estão? - Quer dizer que há mais de um! E precisam jantar juntos?-

Decido virar as costas e retornar para o lado do Zé, em outros casos exigiria providências, mas como o maior interessado mostrava-se paciente e resignado, não disse nada. Antes, porém, resolvi ficar mais alguns segundos ao lado da ficha, e uma mulher que eu ainda não havia visto veio apanhá-la.

Fiquei sabendo então que ali ele deveria ser reexaminado por um ortopedista. Mas a médica ou enfermeira, resolveu agilizar o atendimento e pedir o raio do Raio X!

Saí discretamente para que os demais que se encontravam aguardando não achassem que eu os havia passado para trás. Sim; isto é muito comum entre as pessoas que se sentem desamparadas e fracas ante o sistema. Canalizar sua revolta contra o cidadão que faz valer seus direitos!

Passei a mão no Zé, entenda-se, chamei-o de canto e nos dirigimos ao Raio X. Mesmo sem ninguém à nossa frente, levamos 15 minutos. Voltamos de posse do referido à mesma salinha com buracos na parede e lá colocamos nosso exame. Fomos logo chamados. A doutora deu uma mexidinha no Zé, olhou a chapa e diagnosticou uma luxação de grau 1. O que traduzindo, quer dizer uma Censurado e colocou uma tipóia nele.

Com a sensação de estarmos indo embora fomos à sala de medicação, que ficava ao lado do PS Infantil, para que fosse aplicada uma injeção intramuscular nos glúteos do Zé.
Claro; ali não encontramos ninguém, mas fomos informados solidamente por um segurança:

- Ela já vem! Ela já vem!

Assim bem orientados, sentamos um pouquinho, coisa de uns 20 minutos apenas.

Dali; vejo um pai sentado com sua filha no colo, não tem mais de cinco anos. Nenhum deles se move. Passa das 23h30min, isso não é hora de criança estar acordada. Mais uma menina, no colo da mãe, certamente menos de dois anos, ela vomita no cesto de lixo estrategicamente colocado ao lado das duas, enquanto aguarda o atendimento.

Nas paredes, alguns recortes com motivos infantis, na tentativa de tornar menos assustador o ambiente de espera das crianças. Saio de perto, prefiro não ver e assim acalmo meu coração de pai. Que dor! Como é dolorosa a espera de um pai na fila de um PS Infantil!

A enfermeira que aplica injeções nas pessoas chega e num instante estamos liberados. É quase meia-noite, caminho pela arborizada Cidade Universitária até o carro do Zé. Este hospital atende apenas Uspianos e moradores de bairros próximos. É apenas mais um, igual a qualquer outro hospital público. Hospitais abandonados pelo PSDB e agora abandonados pelo PT!

Lula não traiu a mim, traiu as crianças que esperam nos pronto-socorros do Brasil!

Um Presidente que certamente não se lembra da sua infância!

30 novembro, 2006

Antiga mais vale a pena 2

Há duas semanas, fui surpreendido pelo noticiário ao saber:( Veja)
08/08/2006

Uma senhora no Rio de Janeiro foi internada muito debilitada, correndo risco acentuado de perder a vida.
Passadas algumas horas chegou a notícia do falecimento.
Avisada a família, o trâmite burocrático seguiu com a elaboração do laudo com a causa-morte pelo médico e também o atestado de óbito.
O corpo foi colocado em sacos pretos usados pelo IML. Cerca de 4 horas depois, uma das netas da senhora falecida chegou para preparar sua avó para o enterro.
Pasmem, ao vestir a defunta, que surpresa! A mulher estava viva!
Imaginem o susto da neta?! E o terror da velhinha?
Em urgência, uma ambulância levou-a, às pressas de volta ao hospital.
Internada, não resistiu. Muito possivelmente pelo tempo em que ficou desassistida. Faleceu!
Como se não fosse suficiente, funcionários do hospital, a mando dos médicos, arrancaram das mãos da família o laudo e o atestado de óbito. Rasgando-os.
Os jornais noticiaram no dia, mas para a dinâmica televisiva, hoje isso é apenas notícia de ontem.

28 novembro, 2006

Antiga mas vale a pena...

16/08/2006

Ouvi hoje no rádio (veja):

Três pescadores Mexicanos foram resgatados com vida, distantes 8000 km do lugar de partida! O mais espantoso é que os felizardos estavam desaparecidos fazia 9 meses!

Quando perguntados sobre de que maneira haviam conseguido sobreviver, responderam que se alimentavam de peixes crus e aves, bebendo água da chuva.

Realmente o ser humano é capaz de proezas inimagináveis!

UTLIDADE PÚBLICA

QUERIDOS AMIGOS,

O ARRASTA A REDE

VEM CUMPRIR MAIS UM DE SEUS PAPÉIS.

ABRE ESPAÇO PARA O QUE VOU CHAMAR

UTILIDADE PÚBLICA.

TODA VEZ QUE NECESSÁRIO,

ESTA PORTA ESTARÁ ABERTA PARA

DEFENDER IDEAIS E SOBRETUDO,

A VERDADE

MANIFESTO ANTIGERUNDISTA

( Recebido de Iara e Iuri)

A norma gramatical é clara:

Depois de verbo auxiliar no infinitivo NUNCA se aplica verbo de ação no gerúndio!



Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando (recortar), estar imprimindo (imprimir) e estar fazendo (fazer) diversas cópias, para estar deixando (deixar) discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando (falar) sem estar espalhando (espalhar) essa praga terrível que parece estar se disseminando (disseminar-se) na comunicação, o Gerundismo.

Você pode também estar transmitindo (transmitir) por fax, estar remetendo (remeter) pelo correio ou estar enviando (enviar) pela Internet.

O importante é estar garantindo (garantir) que os gerundistas vão estar recebendo (recebam) esta mensagem, de modo que possam estar (estejam) lendo e, quem sabe, consigam até mesmo estar se dando conta (se dar conta) da maneira como tudo o que costumam estar falando (falar) deve estar soando (soar) um verdadeiro pavor para quem precisa estar ouvindo ( ouvir) o que for dito.

Sinta-se livre para estar difundindo (difundir) tantas vezes quantas você vá estar julgando (julgue) necessárias para estar atingindo (atingir) o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral ou escrita.

Mais do que estar repreendendo (repreender) ou estar caçoando (caçoar), o objetivo deste movimento é estar fazendo (fazer) com que esteja caindo (caia) a ficha das pessoas que costumam estar falando (falar) desse jeito sem estar percebendo (perceber).

Temos que estar nos unindo (nos unir) para estar mostrando (mostrar) aos nossos interlocutores que, sim! Pode estar existindo (existir) uma maneira de estar aprendendo (aprender) a estar parando (parar) de estar falando (falar) desse jeito.

Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo (seremos) obrigados a estar emigrando (emigrar) para algum lugar onde não vão estar nos obrigando (nos obriguem) a estar ouvindo (ouvir) frases aberrantes o dia inteirinho.

Sinceramente: nossa paciência tem estado (está) a ponto de estar estourando (estourar).

Um "Eu vou estar transferindo a sua ligação" que eu vá estar ouvindo (ouça) pode chegar a estar provocando (provocar) alguma reação inesperada. Eu não vou estar me responsabilizando (me responsabilizarei) pelos meus atos. As pessoas precisam estar entendendo (entender) a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando (entrar) na linguagem do dia-a-dia.

Você dispensa o verbo auxiliar e o verbo de ação no gerúndio e aplica diretamente o mesmo verbo de ação no infinitivo! É uma construção elegante, limpa, correta, com significado claro e indubitável!

Demonstra inclusive qual o grau de instrução do interlocutor e em muitos casos pode até demonstrar o seu grau de patriotismo, pois a língua é um dos principais senão o principal fator de dominação entre os povos (vide latim, espanhol e o inglês).

Vamos despachar para bem longe do nosso belo idioma essas construções aberrantes!

A norma gramatical é clara: Depois de verbo auxiliar no infinitivo NUNCA se aplica verbo de ação no gerúndio!

21 novembro, 2006

20 DE NOVEMBRO



Palmares, 20 de Novembro de 1665

O 20 de novembro trata da data do assassinato de Zumbi, em 1665, o mais importante líder dos quilombos de Palmares, que representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas, com uma população estimada em mais 30 mil pessoas.
Em várias sociedades escravistas nas Américas existiram fugas de escravos e formação de comunidades como os quilombos. Na Venezuela, foram chamados de cumbes, na Colômbia de palanques e de marrons nos EUA e Caribe.
Palmares durou cerca de 140 anos: as primeiras evidências de Palmares são de 1585 e há informações de escravos fugidos na Serra da Barriga até 1740, bem depois do assassinato de Zumbi.
Embora tenham existido tentativas de tratados de paz os acordos fracassaram e prevaleceu o furor destruidor do poder colonial contra Palmares.

09 novembro, 2006

HOMENAGEM DE PAULINHO DA VIOLA AO RIO DE JANEIRO


foto: Mário Cardoso



Amor À Natureza
Paulinho da Viola
Composição: (Paulinho da Viola)


Relíquia do folclore nacional
Jóia rara que apresento
Nesta paisagem em que me vejo
No centro da paixão e do tormento
Sem nenhuma ilusão
Neste cenário de tristeza
Relembro momentos de real bravura
Dos que lutaram com ardor
Em nome do amor à natureza

Cinzentas nuvens de fumaça
Umedecendo meus olhos
De aflição e de cansaço
Imensos blocos de concreto
Ocupando todos os espaços
Daquela que já foi a mais bela cidade
Que o mundo inteiro consagrou
Com suas praias tão lindas
Tão cheias de graça, de sonho e de amor

Flutua no ar o desprezo
Desconsiderando a razão
Que o homem não sabe se vai encontrar
Um jeito de dar um jeito na situação
Uma semente atirada
Num solo fértil não deve morrer
É sempre uma nova esperança
Que a gente alimenta de sobreviver

TRIBUNAL FLEX



São Paulo, 8 de Novembro de 2006.

Cada tanque de combustível de um dos Volkswagen Santana luxo, do Tribunal de Justiça de São Paulo, comporta 75 litros de combustível.

As autoridades que recebem este privilégio têm à sua disposição Cento e Cinco deles!

Em um dos postos conveniados, vitorioso em concorrência pública, cheguei a abastecer com gasolina ao preço de R$ 2,54 reais o litro. Cada tanque cheio chegava a custar aos cofres do judiciário, 200 reais.

Cerca de 80 destes, rodam diariamente nas ruas de São Paulo, muitos sem regulagem adequada ou com manutenção deficiente, chegam a registrar o consumo de 5 Km/l.

Em meus deslocamentos em viatura oficial, rodo não menos do que 400 km/semana, ou 2000 Km/mês.

Será justo cortar as horas extras dos meus colegas para controlar despesas?

DEMOCRACIA BOLIVARIANA



São Paulo, 8 de Novembro de 2006.

Já que a mídia sem vergonha não diz o que está acontecendo no México, por favor, Esquerdos e/ou Direitos, não sei bem como chamá-los.

Poderiam por favor, botar a boca no trombone e comentar que houve fraude nas eleições presidenciais Mexicanas, produzida com dinheiro Estadunidense.

Ao menos se desentoquem, assumam suas posições, joguem limpamente e saboreiem a Democracia.

Isso vale para o Brasil, Bolívia, Venezuela, Cuba, Guatemala, Nicarágua, Equador, além do próprio México, para quem não entendeu muito bem.