16 outubro, 2006

A Rua



São Paulo, 25 e 26 de Julho de 2006.

Hoje vou falar sobre uma rua, famosa em todo o Brasil, que reflete na medida exata a cidade que representa, em toda sua diversidade.
Diria que começa maravilhosa, Avenida iluminada, dançante e rica. Com lojas de grifes internacionais, lanchonetes, casa noturnas, uma delas um castelo, dividida por um canteiro central exuberante com enormes árvores lindas.
Poderia dizer caso ali não fosse o seu final, por uma simples convenção que muito a propósito numera e orienta o início das ruas a partir do centro da cidade.

Não há problema, como exige a poesia do roteiro original, começo pelo fim.

Mergulha Avenida de nome Cidade Jardim, túnel à dentro, desabrochando mais rica ainda, mais arborizada no Jardim América. O restaurante Bolinha serve deliciosa, renomada e cara feijoada; estamos na Avenida Europa que corta o bairro do jardim que leva seu nome. Ali, suntuosas mansões, térreas ou quase térreas afrontam os edifícios da cidade, nelas estão os que ainda conseguem se manter milionariamente na horizontal.

Alguns metros adiante encontramos uma famosa e divertida banca de jornal. Em frente à mansão da família Bloch, no cruzamento com a Rua Groenlândia. Lá, o Presidente Juscelino passou sua última noite.

Atravesso a rua e chego ao MIS, museu da imagem e do som, com suas exposições, seu acervo de vozes, shows e um café. Vale a visita. Nesta hora ainda refletindo toda a “Plata” que ergue, avistamos uma infinidade de concessionárias de automóveis e motocicletas. Jaguar, Ferrari, Mercedes, BMW, Harley, para todos os gostos, mas não para todos os bolsos. Agora é Colômbia, para chegar até a esquina com a Avenida Brasil, local da igreja de Nossa Senhora, famosa por seus concorridos e badalados casamentos.

Algumas linhas de ônibus passam por ela, afinal, liga o centro à zona sul, uma delas vai até a cidade universitária, mas não entra, pois a rede da antiga linha do elétrico acaba na porta da universidade.
Das janelas deste ônibus você avista o clube Paulistano, uma delegacia de polícia na esquina da antiga danceteria Colombo.

Já neste trecho é Augusta, definitivamente Augusta. Das lojas, milhares delas, das pessoas que vem da cidade toda para o trabalho.

Augusta; das lojas de calçados, de roupas, artigos eletrônicos, das lojas de artesanato, dos armazéns, dos bares e restaurantes, cafés, bingos, do Cine - Sesc, da galeria conjunto nacional, das lojas de CDs, das livrarias, como a maravilhosa Cultura. Estacionamentos e até uma estação de metrô, a Consolação, que em sua esquina lhe rouba o nome.

Humildemente em duas faixas estreitas para cada lado, cruza a pujante Avenida Paulista.
Inicia sua descida agonizante, findará no início de tudo, antes, pára para um Chope no Frevo ou uma cerveja no BH e para o que há de melhor na sétima arte.

No Espaço Unibanco, que outrora, Nacional, presenteia o bom gosto do paulistano com cinema, dos bons, em cinco salas!
A sua frente a Neto discos, onde é possível encontrar bons discos a ótimos preços.
Mais abaixo, o Promocenter, uma espécie de Galeria Pajé, meio legal, meio ilegal, com preços muito convidativos.
Na galeria, tomamos um mate e compramos uma camiseta de alguma banda de rock, mais restaurantes, agora mais simples, uma ou duas academias populares, muita gente, casas de banho e saunas, mulheres às ruas, preferencialmente à noite. A iluminação já não é mais a mesma, botecos, mais algum comércio, uma última loja de CD’S, muito boa, embora o proprietário não seja lá muito bem humorado, a Discomania. Alguns hotéis com fachadas imponentes e bandeiras nos mastros, hoje aparentemente decadentes, contrastam com pequenas portas de motéis de fluxo intenso.
O ônibus chega a seu destino, passa pela Rua Caio Prado, cruza a Rua Avanhandava dos restaurantes, Gigetto que oferece a salada Corinthiana e Famiglia Mancini, deleite gastronômico.

Cheguei ao centro, desço em frente ao hotel Jaraguá, reformado, hospedagem certa para Arquitetos e decoradores, seu cartão de visitas. Ao seu lado, o Marajá, um grande estabelecimento, uma padaria adaptada à dinâmica Rua Augusta, cerveja gelada, pedaços de pizza dos mais variados sabores, sempre quentinhos, a toda hora. Dali avista-se a secretaria de Educação em seu prédio lindíssimo. Também a Avenida São Luís que liga a Praça da República à Praça da Sé, seus bares, suas agências de viagens, seu belo canteiro central, seus sebos, seus cafés.
Mais a frente a maravilhosa Biblioteca o Vale do Anhangabaú, o Teatro Municipal a Praça Ramos, o Mappin, o Shopping Light.

A Augusta é a cara de São Paulo, com licença, vou ver meu amigo Amaral e comer um sanduíche de pernil no Estadão.

Um comentário:

Prof Toni disse...

No barato da geografia urbana, pensando como Armando Correa? Belo texto camarada!